Novos combates, <br>o compromisso de sempre
Jerónimo de Sousa garantiu no domingo, 17, numa festa realizada na Foz do Arelho, que o Partido só votará favoravelmente o Orçamento do Estado para 2017 se ele não reverter direitos dos trabalhadores.
O compromisso do PCP é com os trabalhadores e o povo
LUSA
O Secretário-geral do Partido marcou presença na Festa de Verão da Organização Regional de Leiria do PCP, que se realizou no fim-de-semana nas margens da lagoa da Foz do Arelho, no concelho de Caldas da Rainha. Dos mais de 300 participantes, muitos eram militantes comunistas, mas a presença de democratas independentes era de tal maneira expressiva que mereceu uma referência de Jerónimo de Sousa na intervenção que proferiu no comício.
O Orçamento do Estado para 2017, que em breve começará a ser discutido, ocupou parte importante do discurso do dirigente comunista, que assumiu que o PCP não pode desde já garantir qualquer voto face a um documento que ainda não conhece. O PCP não pretende «fazer a cama» ao Governo, realçou Jerónimo de Sousa, deixando claro, porém, que o sentido de voto do PCP será determinado pelo conteúdo concreto do Orçamento: se for «bom para os trabalhadores e para o povo», o PCP votará a favor; da mesma maneira que, inversamente, o Partido não subscreverá políticas que «façam voltar tudo para trás», reafirmou.
O PCP levará a sua palavra «até ao fim», como «partido sério» que é, garantiu Jerónimo de Sousa, lembrando que os comunistas votarão favoravelmente tudo o que for positivo para os trabalhadores e para o povo e contra aquilo que lhes for prejudicial. O compromisso «primeiro e principal» do Partido, reafirmou, é com os trabalhadores, o povo e o País e não com o Governo, qualquer que ele seja.
Lutar para resistir e avançar
Antes, interveio Adelaide Pereira, do Comité Central, que valorizou a «determinação e firmeza dos trabalhadores do distrito de Leiria, que resistem e lutam por aumentos de salário, contra a precariedade e em defesa da contratação colectiva» em empresas como a Gallo Vidro, a BA Vidro e a Crisal, na Marinha Grande, na Esip, em Peniche, e na Keyplastics e na Europac-Embalagem, em Leiria. A dirigente do Partido estendeu a saudação aos trabalhadores da Schaeffler, nas Caldas da Rainha, que combatem a imposição da laboração contínua; da Mapicentro, em Leiria, que se batem contra os salários em atraso; e da Nazaré Qualifica, que rejeitam o despedimento de 15 colegas e exigem o pagamento de subsídios em falta.
Os pescadores de Peniche e da Nazaré, que se encontram em luta em defesa da contratação colectiva e pela melhoria das condições de trabalho a bordo, pela exigência de uma revisão da política de preços na primeira venda e dos custos dos factores de produção, também mereceram a saudação da responsável pela Organização Regional de Leiria do Partido, que guardou ainda uma palavra para os agricultores do distrito, que «passam por sérias dificuldades decorrentes do processo de integração capitalista na União Europeia e da Política Agrícola Comum».
Na Festa de Verão dos comunistas de Leiria houve venda de livros, gastronomia e artesanato, música e poesia, estas últimas a cargo de Nelson Rodrigues e Manuel Freire.
Alegria e luta no Litoral Alentejano
No fim-de-semana anterior, nomeadamente no domingo, 10, realizou-se no Parque de Merendas do Rio de Figueira, em Santiago do Cacém, o habitual convívio de verão da Organização Regional do Litoral Alentejano do PCP, no qual participaram mais de 200 militantes e amigos do Partido. João Oliveira, membro da Comissão Política e presidente do Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República, interveio sobre a situação política nacional e o indispensável reforço do Partido.
Antes, já Miguel Gonçalves, do Executivo da Direcção da Organização Regional do Litoral Alentejano, realçara diversos aspectos mais concretos sobre a região: a valorização das luta das populações, nomeadamente em defesa das obras no IC1 Alcácer/Grândola, pela reposição das freguesias ou pela melhoria das condições de acesso à saúde e ao Serviço Nacional de Saúde foram algumas das questões sublinhadas pelo dirigente regional do Partido.
Especificamente sobre o SNS, foram realçadas reivindicações como a contratação de mais médicos e enfermeiros no Hospital do Litoral Alentejano, a conclusão das obras de construção do centro de saúde de Sines e a melhoria dos centros de saúde do Torrão e Alvalade. Foi através da luta que se concretizou a reabertura da Extensão de Saúde do Canal Caveira, em Grândola, valorizou-se.
No sector das empresas, nomeadamente em Sines, foram várias as lutas pelo aumento do salário e melhoria das condições de trabalho, afirmou-se no convívio de verão. A campanha do Partido «Mais Direitos, Mais Futuro – Não há Precariedade» permitiu um contacto profundo com as aspirações e reivindicações dos trabalhadores e suas dificuldades no local de trabalho. Empresas como a Galp, a Repsol e a PSA não podem continuar a lucrar milhões todos os anos à custa do trabalho precário, de ameaças e chantagens junto dos trabalhadores, garantem os comunistas.